5 tendências de redes sociais que toda ONG deveria acompanhar
As redes sociais mudam o tempo todo. Formatos novos surgem, algoritmos são ajustados e o jeito como as pessoas consomem conteúdo se transforma de um mês para o outro. Para uma organização do terceiro setor, acompanhar esses movimentos é o que separa uma comunicação que mobiliza de uma que passa despercebida.
Este guia reúne as tendências que aparecem nas pesquisas mais recentes sobre TikTok, Instagram, YouTube e LinkedIn no Brasil e mostra o que cada uma significa para quem comunica uma causa. Sempre que as plataformas mudarem de novo, volte aqui para se atualizar.
Se a sua ONG trabalha com uma equipe enxuta, conheça o
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Resumo rápido: as 5 tendências
- TikTok como canal de descoberta e compra. A recomendação de outras pessoas move decisões, o que vale tanto para produtos quanto para causas.
- Instagram como porta de entrada. É a rede mais citada como a mais usada, com Stories no centro e relação direta com marcas e organizações.
- YouTube como plataforma de vídeo longo e televisão. Espaço para storytelling, conteúdo educativo e prestação de contas.
- LinkedIn como rede de marca pessoal e parcerias. Terreno para captação B2B, relações com empresas ESG e recrutamento de voluntários.
- Conteúdo com inteligência artificial e a questão da autenticidade. A percepção do público sobre o que é feito por IA impacta a confiança, que é a base da relação de uma ONG com seus apoiadores.
O TikTok virou canal de descoberta e de compra
O TikTok tem 91 milhões de usuários no Brasil, segundo o relatório do Opinion Box. Entre eles, 41% entram várias vezes ao dia e 16% deixam o aplicativo aberto o dia todo. Quando o assunto é vídeo de curta duração, 47% apontam o TikTok como a rede preferida, contra 33% que citam o Instagram (Reels).
O ponto central para uma organização é a relação entre descoberta e ação. Metade dos usuários (49%) já comprou algo que descobriu na plataforma, ante 36% no levantamento anterior. E 53% já compraram algo indicado por outra pessoa no TikTok. A recomendação também funciona no sentido contrário: 47% deixaram de comprar depois de ver uma crítica negativa.
O que isso significa para uma ONG
A lógica de descoberta e recomendação que move compras é a mesma que pode mover doações, adesões a campanhas e participação em ações. Depoimentos de doadores, voluntários e pessoas atendidas cumprem o papel da "indicação de alguém" que pesa na decisão do público. Para medir se esse conteúdo está gerando ação de fato, vale estruturar o rastreamento de links.
Veja como no guia de UTMs para ONGs, com exemplos práticos para Instagram e WhatsApp.
BÔNUS: Você deve conhecer as lives do TikTok
As transmissões ao vivo representam uma frente importante no TikTok e já fazem parte do comportamento de boa parte do público:
- 66% dos usuários já assistiram a uma live na plataforma
- 57% preferem acompanhar as transmissões entre 18h e 00h
- Entre as pessoas que já compraram pelo TikTok Shop, 20% realizaram a compra durante uma live
Para uma ONG, este formato cria a oportunidade de conversar com o público em tempo real, apresentar o trabalho enquanto ele acontece e responder a dúvidas durante a transmissão. Essa proximidade pode ajudar quem assiste a compreender melhor a causa e avançar na decisão de apoiar.
As lives podem ser utilizadas para diferentes objetivos, como:
- Lançar uma campanha de mobilização
- Apresentar os resultados de uma ação recente
- Conversar com especialistas, beneficiários ou parceiros
- Receber doações ao vivo
Como o período noturno concentra a preferência do público, vale planejar as transmissões para horários em que mais pessoas estejam disponíveis para acompanhar e interagir.
O Instagram é a porta de entrada da audiência
O Instagram ocupa um espaço central na rotina digital dos usuários. Quando perguntados sobre qual plataforma mais utilizam, 56% citam a rede, à frente do YouTube, com 19%, e do TikTok, com 9%.
Esse uso também é frequente e concentrado no celular:
- 9 em cada 10 usuários acessam o Instagram pelo menos uma vez ao dia
- 93% utilizam o smartphone para entrar na plataforma
Entre os formatos, os Stories se destacam tanto na produção quanto no consumo de conteúdo. Para 59% dos usuários, eles são o formato mais publicado, enquanto 44% preferem acompanhá-los em comparação ao feed e aos Reels.
A relação com empresas e marcas também já faz parte dessa experiência:
- 83% seguem pelo menos um perfil de empresa ou marca
- 73% já compraram um produto ou contrataram um serviço descoberto no Instagram
O que isso significa para uma ONG
Para a maior parte do público, o Instagram é o primeiro contato com uma organização. Isso coloca dois pontos em jogo: um perfil que comunica a causa com clareza e um caminho simples da rede social até a página de doação, normalmente pelo link na bio. Esse trajeto depende de uma estrutura bem pensada fora da rede também.
Entenda como organizar isso na leitura sobre arquitetura de site para ONGs, que trata de tornar o destino do clique claro e encontrável.
Tendência 3: o YouTube é a casa do vídeo longo, dos tutoriais e da TV
O YouTube tem 144 milhões de usuários no Brasil, o que coloca o país na terceira posição no ranking global da plataforma. O acesso é frequente e acontece principalmente à noite:
- 8 em cada 10 usuários acessam pelo menos uma vez por dia
- 54% concentram o uso no período noturno
- 62% acessam pelo smartphone, 17% pelo notebook e 13% pela SmartTV
Entre os usos mais citados estão ouvir música, com 55%, aprender coisas novas para o dia a dia, com 51%, e assistir a tutoriais, com 49%.
Sobre os vídeos curtos:
- 55% já usaram o Shorts
- Entre essas pessoas, 85% dizem passar mais tempo nos vídeos tradicionais
Além disso, 61% dos usuários estão inscritos no canal de alguma marca, e o principal motivo para isso é aprender algo novo, citado por 34%.
O que isso significa para uma ONG
O YouTube abre espaço para o tipo de conteúdo que uma organização tem de sobra e nem sempre consegue mostrar em formatos curtos, como a história por trás do trabalho, o passo a passo de um projeto, o depoimento completo de quem é atendido e a prestação de contas.
Esse material sustenta a confiança ao longo do tempo. A lógica de transformar resultado em narrativa também aparece no Relatório de Atividades, que conecta impacto, indicadores e credibilidade para captação.
O LinkedIn é rede de marca pessoal e de parcerias
No LinkedIn, 83% dos entrevistados afirmam estar trabalhando. Entre as principais atividades na plataforma estão:
- Procurar vagas, citado por 50% dos usuários
- Acompanhar o feed, com 45%
- Ler artigos, com 44%
- Fazer networking, com 41%
A produção de conteúdo ainda é pouco frequente: 32% nunca publicam e 34% postam menos de uma vez por mês. Entre quem publica ao menos uma vez por semana, os principais motivos são fortalecer a marca pessoal, para 67%, e a marca da empresa, para 62%.
A rede também gera negócios:
- 28% já contrataram um serviço ou empresa que conheceram no LinkedIn
- 8% possuem uma assinatura premium ativa
- 80% nunca anunciaram na plataforma
O que isso significa para uma ONG
O LinkedIn é o terreno das relações com empresas, incluindo parcerias, patrocínios e agendas ESG, além de recrutamento de voluntários e profissionais. A marca pessoal das lideranças da organização costuma abrir portas que o perfil institucional sozinho não abre.
E como a produção de conteúdo ali é de poucos, existe espaço para uma ONG ocupar. Se o posicionamento da organização ficou distante do que ela faz hoje, pode ser hora de revisar a identidade: veja os sinais de que uma ONG precisa de rebranding.
Conteúdo com IA e a disputa pela autenticidade
A quinta tendência atravessa mais de uma rede: a presença de conteúdo produzido com inteligência artificial e a reação do público a ele.
No Instagram, 42% dos usuários afirmam distinguir com facilidade posts feitos por humanos e por IA, e 68% concordam que há muito conteúdo produzido por IA na plataforma. No LinkedIn, 54% se dizem indiferentes a esse tipo de conteúdo e 30% afirmam não gostar de posts com IA. Entre quem não gosta, o principal motivo é a falta de autenticidade (61%).
O que isso significa para uma ONG
A relação de uma ONG com seus apoiadores é baseada em confiança, e a autenticidade é parte dela. A inteligência artificial pode ajudar na produção, mas o público percebe quando o conteúdo soa vazio ou genérico. Falar com voz própria, mostrar pessoas reais e respeitar a diversidade de quem faz e recebe o trabalho conta a favor. Esse é um dos temas da reflexão sobre comunicação inclusiva e representatividade.
Como colocar essas tendências em prática
Nenhuma organização precisa estar em todas as redes ao mesmo tempo. O caminho é escolher onde a sua audiência está, definir o que cada plataforma faz melhor e manter consistência. Se a sua equipe é pequena, priorize uma ou duas redes e faça bem feito. Se precisar de apoio para tocar isso no dia a dia, conheça o serviço de gerenciamento de redes sociais voltado para o terceiro setor.
Perguntas frequentes
Qual é a rede social mais usada no Brasil?
Entre usuários de redes sociais, 56% apontam o Instagram como a plataforma que mais utilizam, seguido de YouTube (19%), TikTok (9%) e Facebook (8%), segundo pesquisa do Opinion Box.
Vale a pena uma ONG estar no TikTok?
Os dados mostram que a plataforma funciona como canal de descoberta e recomendação: 49% dos usuários já compraram algo que descobriram ali e 53% compraram por indicação de outra pessoa. Para uma ONG, essa mesma lógica pode apoiar doações, mobilização e participação em campanhas.
Redes sociais geram resultado concreto para uma organização?
No Instagram, 73% dos usuários já compraram um produto ou contrataram um serviço que descobriram na rede. No TikTok, metade já comprou algo descoberto na plataforma. Para medir esse resultado no contexto de uma ONG, é preciso rastrear os links das campanhas, por exemplo com UTMs.
Conteúdo feito por inteligência artificial funciona nas redes?
Depende do uso. No Instagram, 42% dos usuários dizem identificar com facilidade o que é feito por IA. No LinkedIn, entre quem rejeita esse tipo de post, 61% apontam falta de autenticidade como motivo. Para uma organização, a autenticidade sustenta a confiança do público.
Em qual rede a minha ONG deveria começar?
Comece onde o seu público já está e onde a sua equipe consegue manter constância. Instagram costuma ser porta de entrada; YouTube favorece histórias e prestação de contas; LinkedIn abre relações com empresas e voluntários; TikTok amplia descoberta.
Fontes dos dados
- Opinion Box. Relatório TikTok no Brasil. 1.066 entrevistados, margem de erro de 3,1 pp.
- Opinion Box. Relatório Instagram. 1.102 entrevistados, margem de erro de 2,9 pp.
- Opinion Box. Youtube no Brasil. 1.099 entrevistados, margem de erro de 2,9 pp.
- Opinion Box e M15. LinkedIn no Brasil. 1.041 entrevistados, margem de erro de 3 pp.
- Comunidade Cosmos. Atualizações do Instagram.













